Artesanato mineiro gira R$ 4 bi e ajuda indústria e comércio

27/11/2016

RIO DE JANEIRO. Quem olha para a tela pendurada, com flores e casinhas de Tiradentes, minuciosamente bordadas pelo Moisés Jordano, pensa em todo o trabalho que a peça deve ter dado. Quem olha para a luminária feita por Simone Oliveira com filtros de café reciclados praticamente nem presta atenção no ferro. E quem pensa nos R$ 4 bilhões que o artesanato mineiro fatura, em média, provavelmente não se dá conta de que, para cada R$ 100 que essa atividade embolsa, ela movimenta pelo menos mais R$ 46 com a compra de matéria-prima. “Segundo levantamento da Vox Populli, os custos da produção equivalem a 51% do faturamento. “Considerando que 92% desses gastos são feitos com compras de insumos, no varejo e na indústria, cerca de R$ 1,8 bilhão movimenta esses setores”, estima a presidente do Centro Cape, Tânia Machado.

E foi exatamente a diversidade de matéria-prima que ajudou a colocar Minas Gerais no topo do “Oscar do artesanato brasileiro”. Dos cem melhores empreendimentos premiados pelo Top 100 nos 27 Estados, 13 são mineiros. “Minas tem uma heterogeneidade relevante, além de tradição com identidade. Tudo isso agrega muito valor e reflete nos outros segmentos também”, destaca a analista de artesanato do Sebrae Minas, Sabrina Campos Albuquerque.

Além do reconhecimento, os vencedores ganharam uma oportunidade de dinamizar os negócios e escancarar seu artesanato para o mundo. O Sebrae organizou, no Rio de Janeiro, dois dias de rodadas de negócios, com 62 compradores, sendo 11 internacionais.

A empresa Essamulher, de Belo Horizonte, faz parte deste seleto grupo. De olho na chance de divulgar as bijuterias, até catálogo em inglês ela preparou. E deu certo. No primeiro dia do evento, teve reunião com compradores da Polônia, da Holanda e dos Estados Unidos. Ela cuida da gestão. A sócia Heloísa Araújo é responsável pela criação. “Eu sou administradora e ela é artista plástica, mas uma já dá palpite na área da outra. A estratégia é distribuir a coleção em uma pirâmide: 10% é inovação, 30% é o que já foi inovação e se tornou consistente. Os 60% restantes são peças que o mercado quer e sempre vão ter sucesso. Assim, a coleção fica viável economicamente”, explica Valéria, que agora comemora o a projeção que a marca conquistará a partir da premiação.

Os vencedores podem usar o selo Top 100 por três anos. “O prêmio não é somente para os melhores produtos, mas para os melhores empreendimentos, considerando práticas de gestão e sustentabilidade, que mostram ao mercado não só a qualidade, mas a maturidade do artesanato”, afirma a gestora do prêmio, Durce Masceni.

Simone Oliveira é de Carangola, na Zona da Mata. Há 17 anos ela descobriu, nos coadores de café, uma matéria-prima perfeita para fazer luminárias. Junto com os pais, ela emprega 20 pessoas. Também passou a fazer móveis e, neste ano, descobriu como reaproveitar os retalhos de ferro. “Lancei uma linha de bijuterias”, conta a artesã, que já venceu três das quatro edições do Top 100. Durante a rodada de negócios que aconteceu nesta semana no Rio de Janeiro, ela foi convidada por um comprador da Alemanha a participar de uma feira em Paris.

O prêmio também já rendeu frutos para Moisés Jordano, de Tiradentes. Até mesmo a tela que ele levou como mostruário para apresentar seu trabalho foi vendida. “Minha expectativa principal não é a venda imediata, mas o reconhecimento e a visibilidade que o prêmio traz para o exterior”, destaca.

O Top 100 acontece de três em três anos.

Nesta edição, 2.145 artesãos se inscreveram. Os vencedores foram avaliados pelas práticas de gestão e sustentabilidade. Os trabalhos estão reunidos em um catálogo, enviado para embaixadas e compradores nacionais e internacionais. 

Fonte: O Tempo


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